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Tratamento precoce com Kit Covid é eficaz e seguro, diz médico de MS


Coordenador do Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox), o médico toxicologista e nutrólogo Sandro Benites é um defensor do uso do Kit Covid que engloba medicamentos como Hidroxicloroquina, Azitromicina, Ivermectina, Zinco e Vitamina D para tratamento precoce da Covid-19.

Em Campo Grande ele liderou um grupo de 300 médicos que convenceu o prefeito Marquinhos Trad a adotar o protocolo de atendimento que inclui a distribuição do kit, com prescrição médica em casos específicos. O mesmo protocolo foi adotado em outras 12 capitais brasileiras e está sendo estudado nas demais. Foi desenvolvido com base em experiências que deram certo em países como Espanha e Estados Unidos, mesmo antes da pandemia chegar ao Brasil, segundo o médico. Em entrevista ao O PROGRESSO ele foi categórico ao afirmar que esses medicamentos são eficazes no tratamento precoce e não trazem dados a saúde, desde que utilizados seguindo orientações médicas.

Recentemente o prefeito Marquinhos Trad adotou o protocolo proposto pelo senhor e um grupo de 300 médicos, que prevê a distribuição de Kits contra Covid-19. Na prática, o que muda a partir de agora? O que muda é que vários médicos estavam fazendo isso inicialmente no consultório com muito sucesso enquanto outros não porque tinham uma dificuldade de se respaldar. Hoje esse grupo tem o apoio e a liberação do CRM (Conselho Regional de Medicina), da Associação Médica de Mato Grosso do Sul, da Associação Médica Brasileira e do Sindicato dos Médicos, ou seja, fica mais tranquila a adesão de vários colegas. Uma coisa é um médico atuar isoladamente, outra c é um grupo de médicos adotar esse protocolo junto com a maior autoridade do município que, no caso de Campo Grande é o prefeito Marquinhos Trad.

Qual o objetivo desse protocolo? O nosso objetivo é fazer com que a população enxergue que ela não pode ficar isolada dentro de casa com sintomas. O que a sociedade precisa entender é que um paciente que chega com febre, mal-estar ou uma tosse, precisa ser atendido. Ele deve fazer um raio-x, um hemograma e ser tratado. A classe médica, que até então estava agindo de uma maneira, precisa repensar essa atitude de só atender ou só internar se o paciente estiver numa situação grave ou com falta de ar. A partir de agora, como tudo em medicina, se iniciar o tratamento precoce a chance de sucesso é maior. Dessa maneira a prevenção é mais simples, mais eficiente, mais eficaz e mais barata.

Esses medicamentos curam a doença? Não existe cura da doença. Trata-se de um vírus que nem é considerado um ser vivo. Essas medicações tem objetivo de fazer com que se iniba a replicação viral dentro da célula e a doença não se agrave, evitando assim que o paciente tenha a necessidade de ir para um tubo de CTI, por exemplo. O reflexo disso é a gente diminuir esse caos que estamos vivenciando de falta de estrutura nos hospitais.

Como o senhor avalia o atual protocolo utilizado na maioria do País, de diagnosticar o paciente e não medicar, apenas mandá-lo ficar em casa em isolamento. Isso é um risco?

Isso é um risco enorme. Hoje o paciente que está com dor de cabeça, mal-estar e tossindo vai para casa para tomar dipirona. Eu prefiro tomar hidroxicloroquina. É uma medicação segura que a gente usa na prática médica há mais de 80 anos. Eu trabalho em centro de intoxicação aqui no Estado há quase 20 anos e nunca vi uma intoxicação por hidroxicloroquina e nem ivermectina. O mesmo acontece nos outros centros do Brasil. Como major do Exército Brasileiro sei que todos os militares das Forças Armadas, seja Marinha, Exército ou Aeronáutica, quando acontece a transferência para região da Amazônica_ e são centenas de famílias transferidas durante décadas_ eles usam a hidroxiclorquina ou mesmo a Cloroquina. E qual é o risco que eles que eles têm? Nenhum.

Como avalia as mortes que ocorreram em Manaus pelo uso do medicamento? Houve um trabalho em Manaus, que no meu ponto de vista é algo digno de um crime. Foi dado doses tóxicas aos pacientes, até cinco vezes mais do que a dose terapeutica, levando a morte dessas pessoas. Esse grupo de cientistas provou que quando se dá uma dose letal com paciente a letalidade acontece. Esse fato confundiu a sociedade. O médico faz parte da sociedade e quando ele vê isso aí, ele não está acostumado a utilizar esses medicamentos e acaba acontecendo essa pane. O resultado disso foi que a gente acabou perdendo muito tempo e com certeza muitas vidas.

Qual o perfil do paciente que receberá os medicamentos e de que forma? Não é para todo mundo usar. Não existe medicamento para 200 milhões de habitantes. Quem deve usar a medicação são os profissionais da área de risco, que estão na linha de frente do Covid-19, trabalhando em CTI, Pronto Socorro, em hospital ou UPA. Esses precisam receber de uma forma preventiva. Outro público que também precisa ser medicado é o de pessoas que tiveram contato com alguém que teve Covid-19 e desenvolveu a doença. Se sua esposa, filho, pai, ou mãe, por exemplo, desenvolveu a doença, você precisa tomar a medicação para não desenvolver também. Estou falando do uso da Ivermectina, da hidroxicloroquina usadas numa maneira preventiva. Porém a gente não tá falando de um protocolo de remédio, já que não existe remédio milagroso. Nós estamos falando de um protocolo de atendimento, que prevê, por exemplo o que ser usado na fase 1 da doença, na fase 2a, na fase 2b e na fase 3, por exemplo. A doença tem várias fases e cada medicação deve que ser utilizada pelo médico, com prescrição médica. Não adianta sair desesperado por aí comprando uma medicação, usando uma maneira desnecessária. Isso faz com que quem precisa de verdade acabe não tendo acesso.

Porque ainda não há comprovação científica para a eficácia desses medicamentos no caso da Covid-19? É preciso entender que existem as modalidades de evidência científica, a comprovação científica e a comprovação científica exigida pelas sociedades médicas. As sociedades médicas, onde você encontra o doutor com doutorado, pós-doutorado, exigem no tempo de paz, que você tem que ter comprovação científica, ou seja, demora meses e anos para uma medicação ser considerada nível A, B ou C de evidência cientifica. São etapas que não tem como pular. É lógico que não existe comprovação científica do jeito que algumas autoridades políticas e da Saúde querem. É uma coisa insana você exigir uma comprovação científica para nada. O que eu vou fazer? Vou deixar o paciente à míngua, cruzar os braços e falar que não tem comprovação? Da mesma forma também não existe comprovação de que se entubar um paciente com Covid-19 ele irá sobreviver, então por isso eu não vou entubá-lo? Não existe comprovação científica nessa doença para praticamente nada porque o quadro de tratamento para a Covid-19 está vazio. Alguém precisa ter a ousadia de ir lá é complementar esse quadro. Ou eu começo a colocar algumas medicações ou eu deixo o quadro vazio. A medicina burocrática perde espaço em épocas de guerra e em épocas de pandemia. Nenhum médico vivo vivenciou uma pandemia de 100 anos atrás. Então é preciso flexibilidade, ousadia, humildade, deixar a soberba e vaidade de lado, reconhecer os erros, começar denovo e isso não é fácil. Agora se pensar no bem da população e nas vidas que se pode salvar, essa tarefa se torna mais fácil. Olha o privilégio que a gente está tendo! Um privilégio geográfico maravilhoso! Nós tivemos essa pandemia começando na Àsia, lá na China, foi para Oceania, Europa, América do Norte e por último chegou aqui na América do Sul. Muitos médicos no mundo tiveram experiências positivas e negativas sem que tivessem tempo de ficar publicando artigo científico em revista indexada. Esse privilégio é maravilhoso porque a gente pode ver quem teve resultado positivo e copiar aqui. Se uma médica brasileira, a Marina Bucar, apresentou uma série de resultados positivos lá na Espanha, com esse mesmo protocolo que a gente tem implementado aqui em Campo Grande eu vou me negar a fazer e cruzar os braços? Se o médico judeu, doutor Vlademir Zelenko em Nova York salvou mais de 500 pessoas com esse protocolo eu vou falar não? Vou esperar a revista científica? Não dá tempo porque os hospitais estão ficando lotados. Campo Grande é mais privilegiada ainda porque nós estamos no meio do país, já que essa epidemia chegou primeiro em São Paulo, a capital financeira do País, foi para a capital administrativa: Brasília, seguiu para a capital do Turismo: Rio de Janeiro e Manaus, por exemplo. Então médicos dessas localidades tiveram que tomar medidas. No Belém do Pará, por exemplo, a Unimed fez esse protocolo que estamos implantando em Campo Grande quando estava acontecendo o que a gente chama de colapso da Saúde, que é quando os hospitais fecham as portas. As pessoas não conseguiam entrar nos hospitais porque estava cadeado. Morriam na porta da unidade. A gente quer isso para a nossa cidade? Não. Quando isso aconteceu em Belem eles adotaram esse protocolo e em uma semana resolveram o problema. Se isso não é uma evidência científica, para mim, nada mais vai ser. Porto Feliz, em São Paulo, adotou a mesma medida, ou seja, mais ação e menos burocracia já que não temos tempo a perder.

Esses medicamentos fazem mal à saúde? As pessoas têm medo do possível efeito colateral da medicação. Eu não. Eu tenho medo do efeito do vírus, da Covid-19. Digamos que se eu tiver que tomar a medicação por cinco dias e no terceiro dia eu tiver efeito colateral, o que que eu faço? Eu paro de tomar, simplesmente isso. A medicação não vai me matar. Se eu tomar e me der uma diarréia ou um vômito eu paro. Tem gente que não pode tomar anticoncepcional, outros não podem tomar Dipirona, é simples.

Por que há tanta resistência por parte dos governos em adotar a utilização desses medicamentos como protocolo? Não sei. Porque não adianta eu utilizar argumentos racionais para algo irracional não se adotar o protocolo de atendimento. Se eu falo que nenhum Centro de Intoxicação registrou a morte de alguém pelo uso desses medicamentos ao longo dos 35 anos, é um argumento racional. Se eu falo que todos os militares recebem a hidroxicloroquina e nenhum morreu ao longo dos últimos 50 anos é um argumento racional. Se eu falo que as pessoas que têm é lúpus, psoríase usam por anos é um argumento racional. Se eu digo que se a pessoa tiver algum efeito colateral basta suspender o uso, é um argumento racional. Então não adianta usar argumentos racionais para algo que é irracional, que não consigo entender.

Quais os riscos que municípios como Dourados correm em não adotar esse protocolo? Perder vidas que poderiam ser salvas.

O que o motivou a contrariar boa parte da classe médica e defender o uso desse protocolo? O que me motivou foi o fato de eu enxergar que eu não preciso de uma revista científica indexada para tomar minha conduta, além de perceber outros colegas com sucesso, ouvir e ter essa flexibilidade e ter coragem para fazer aqui em Campo Grande.

Considerações

Eu penso que o momento não é de picuinhas, mas sim de união. Não é a hora de estarmos divididos. Médicos, população, gestores, enfim, todo mundo vai sair ganhando com isso: os gestores por salvar vidas, os médicos se sentindo realizados em sua profissão e a população perder o medo mórbido desse vírus, sabendo que existe um tratamento eficaz. É preciso parar com essa questão política.

O meu medo não pode ser maior que a minha responsabilidade como médico. É impensável um profissional de saúde querer evidência científica no momento de tragédia. A medicina nunca cresceu tanto em grandes guerras mundiais ou pandemias porque os burocratas perdem espaços. É o momento dos médicos de ação e ousadia agirem. Então eu penso que nós somos abençoados, vamos deixar tudo de lado e vamos pensar mais na nossa população. É bem simples, a gente que complica. O ser humano quando quer complicar ele complica.


Fonte Dourados Agora

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